segunda-feira, 10 de agosto de 2009

OUVINDO MÚSICA




No desalento da minha alma
Ouço a voz perfeita na música.
Na lágrima que rola na face
Me desfaço,me refaço,
Na emoção da música.

Música tema da minha aurora
Das lembranças que não se vão;
Você me dizendo pra não ir embora,
-Mas eu fui!

Precisava alçar voo no céu das descobertas.
E hoje,no desalento da minha alma
Peço reconforto e calma,
E que nenhuma dor além da dor da
lembrança
Possa me alcançar.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

BÊBADA II


Bêbada solitária
Prestes a cair,
Presa aos ciprestes
Ela tenta se exibir.

Quem te vê não nega:
Vives na taverna
Se enchendo de porres,
Pensas que não morres.

Vida,sonhos e sobrinhos,
Tios,primos,família,
Entorna tudo num gole
E fica louca,Virgília.

BÊBADA


Lúcida,translúcida,
Bêbada numa praça,
Chora destemida
Cheirando à cachaça.

Leve e melindrosa,
Não recusa uma bebida.
No compasso do relógio
Ela chora,desiludida.

Maria-vai-com-as-outras
Magra e altiva.
Louca,nunca lúcida,
Desvairada,burra,Lúcia.

VOO AO INFINITO


Sobrevoei o infinito à procura do Amor,
Fiz longo voo e depois encontrei-o.
Estiquei as asas e repousei em seu colo,
Recebi grande afeto e,enquanto durou,
Fui pássaro amado e correspondia.

Saboreei do que me fora dado,
Lambuzei o bico de alegrias
E as penas de prazer.
Provei do fruto da união,
Fiz um ninho acolhedor.

Voava em busca de alimento
Lembrando sempre de retornar,
Que agora eu tinha um alguém meu.
Mas ao chegar,entristeci-me.

Encontrei o meu pássaro morto!
Uma ave silvestre o matara.
E outra vez alcei voo ao infinito,
Um tanto ferida de morte,
De morte por dentro ferida.

SUSPIRO DO EXILADO


Venham gorgear onde resvalo
Ó belas aves de acolá;
Não posso ouvir o Sabiá
Deste chão de onde falo.

Choro longe das belas florestas
Que encontro eu lá;
Meu suspiro é o que me resta
Nesta terra seca cá.

Sofro saudades do ar,
Belas palmeiras d'outra terra,
Lindos bosques,bela serra,
Os amores d'alto mar.

Fico cego de amores
Quedo louco em pensar;
Não suporto mais as dores
De sofrer-e perecer-sem Sabiá.

A QUEDA DAS FOLHAS DE PAPEL






Não apanhei nada do que caiu
Tudo o que caiu foi-se no ar,
E tudo o que eu via se ía
Do teto ao chão,
Da bancada à poça,
Sem aviso,sem pestanejar.

A INSPIRAÇÃO VEM DOS BECOS


Rostos e fivelas,arte viva corre,
Desliza de todas as formas humanas.
Nosso belo mundo onde há lixo e luxo,
Vips e miseráveis,centro e margem.
Nosso mundo e imundo simultâneo.

Tempo de seca,tempo de verdes pastos,
Tempo de vacas obesas e tetas fartas
Para quem tem dim-dim no bolso,
E visões de vacas debilitadas para
Quem já não tinha nada.

Rotas as roupas,quem é vivo corre,
Mendigos e todas as formas humanas.
Oh que belo absurdo,usar os mendigos
Como inspiração de poesias!
Minha poesia retrata e corta como navalha.